| de volta para crônicas |
![]() |
Eduardo |
autora:
|
Aos dois anos
de idade o Eduardo começou a frequentar uma escolinha.
Ele nunca se recusava a ir ou pedia a presença dos pais na escola.
Mas o seu comportamento chamava a atenção porque ele não
atendia quando era chamado, não brincava com outras crianças
e se comunicava muito pouco. Entretanto, ele era carinhoso com as
professoras e demonstrava entender o significado de muitas palavras.
Na maioria das vezes ele nem olhava quando alguém falava o seu nome,
como se fosse surdo. Mas na saída da escola, quando o chamavam
pelo microfone, ele imediatamente pegava suas coisas e se dirigia
ao portão. Nesta época só sabíamos que
ele era diferente. Após dois anos de consultas a vários
profissionais, ele foi diagnosticado como autista de bom rendimento.
Hoje Eduardo tem seis anos. Ele aprendeu a ler sozinho, está aprendendo a escrever, mas ainda não se comunica adequadamente. Já consegue responder a perguntas simples, dizer o que quer e o que não quer, mas aparentemente a sua compreensão a respeito de idéias e conceitos mais abstratos é bastante limitada. Até hoje ele nunca fez aquelas perguntas que todas as crianças costumam fazer: "O que é isso ?" e "Por que ?". O seu comportamento social está evoluindo, tornando-se mais aceitável, mas continua sendo estranho. Há alguns dias, ele estava sentado no gira-gira de um parquinho e duas crianças se aproximaram e sentaram perto dele. Perguntaram o seu nome e a sua idade, e ele respondeu corretamente. Depois perguntaram se ele queria brincar. Ele apenas olhou para as crianças, não falou nada, levantou-se e foi embora. A sua atitude em eventos sociais é bastante peculiar. Percebemos que quando ele vai a locais onde a própria organização do espaço demonstra o que vai acontecer, ele se comporta melhor. Por exemplo, quando vamos a um restaurante, ele se senta à mesa normalmente, mesmo que o local esteja cheio de gente. Mas quando vamos a alguma festa ou a uma simples reunião de família, logo que chega, ele procura se "esconder" em algum local em que tenha poucas pessoas. Depois, aos poucos, ele vai se aventurando a explorar o ambiente. |
|
|