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AMA - Associação de Amigos do Autista
Eduardo
 
Eduardo 

autora: 
Helena Ho 
mãe de Eduardo 

 
Aos dois anos de idade o Eduardo  começou a frequentar uma escolinha.  Ele nunca se recusava a ir ou pedia a presença dos pais na escola.  Mas o seu comportamento chamava a atenção porque ele não atendia quando era chamado, não brincava com outras crianças e se comunicava muito pouco.  Entretanto, ele era carinhoso com as professoras e demonstrava entender o significado de muitas palavras.  Na maioria das vezes ele nem olhava quando alguém falava o seu nome, como se fosse surdo.  Mas na saída da escola, quando o chamavam  pelo microfone,  ele imediatamente pegava suas coisas e se dirigia ao portão.  Nesta época só sabíamos que ele era diferente.  Após dois anos de consultas a vários profissionais, ele foi diagnosticado como autista de bom rendimento. 
Hoje Eduardo tem seis anos. Ele aprendeu a ler sozinho, está aprendendo a escrever, mas ainda não se comunica adequadamente. 
Já consegue responder a perguntas simples, dizer o que quer e o que não quer, mas aparentemente a sua compreensão a respeito de idéias e conceitos mais abstratos é bastante limitada. Até hoje ele nunca fez aquelas perguntas que todas as crianças costumam fazer: "O que é isso ?"  e "Por que ?". 
O seu comportamento social está evoluindo, tornando-se mais aceitável, mas continua sendo estranho.  Há alguns dias, ele estava sentado no gira-gira de um parquinho e duas crianças se aproximaram e sentaram perto dele.  Perguntaram o seu nome e a sua idade, e ele respondeu corretamente.  Depois perguntaram se ele queria brincar.  Ele apenas olhou para as crianças, não falou nada, levantou-se e foi embora. 
A sua atitude em eventos sociais é bastante peculiar.  Percebemos que quando ele vai a locais onde a própria organização do espaço demonstra o que vai acontecer, ele se comporta melhor.  Por exemplo, quando vamos a um restaurante, ele se senta à mesa normalmente, mesmo que o local esteja cheio de gente.  Mas quando vamos a alguma festa ou a uma simples reunião de família, logo que chega, ele procura se "esconder"  em algum local em que tenha poucas pessoas. Depois, aos poucos, ele vai se aventurando a explorar o ambiente.
 
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