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(01/02/2010)
A sexualidade de pessoas com autismo

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Conhecimento e Atitudes Sexuais de Adolescentes e Adultos com Autismo de Alto funcionamento

Sexual Attitudes and Knowledge of High-Functioning Adolescents and Adults with Autism

Journal of Autism and Developmental Disorders, Vol. 2L No. 4, 1991

Opal Y. Ousley

 Gary B. Mesibov

Resumido por Rebeca Costa e Silva

Revisado por Mariana Serrajordia Lopes

A sexualidade de pessoas com autismo não é um assunto muito tratado na literatura. Tanto pelo fato que o autismo se manifesta na infância quanto pela “relutância da nossa sociedade em confrontar a sexualidade”.

Embora quase não haja estudos empíricos sobre a sexualidade no autismo, há uma quantidade maior de estudos sobre a sexualidade em pessoas com retardo mental. E isto já nos é útil, pois as pessoas com autismo ou retardo mental têm algumas características em comum:

  • Rejeição por parte dos colegas quando crianças
  • Educação frequentemente em programas de educação especial
  • Capacidade limitada de compreender e processar informação
  • Geralmente moram em instituições, residências terapêuticas, ou com os pais mesmo após a adolescência.

A maioria das informações disponíveis quanto à sexualidade das pessoas com retardo mental foi obtida através dos professores ou cuidadores.

O objetivo deste estudo foi aprender sobre as atitudes sexuais, experiências sexuais e conhecimento sobre sexo de adultos com autismo tanto do sexo masculino como do feminino.

O estudo incluiu também um grupo para comparação composto por indivíduos com retardo mental leve a moderado sem autismo.

Houve três hipóteses:

  1. Na média, o interesse sexual dentre o grupo de indivíduos com retardo mental seria mais alto do que dentre o grupo de indivíduos com autismo. E de acordo com a literatura, é esperado que os indivíduos do sexo masculino de cada grupo tenham uma pontuação de interesse mais alta do que as do sexo feminino.
  2. A experiência seria maior para os membros do grupo de indivíduos com retardo mental. É esperado que os indivíduos do sexo masculino de cada grupo tenham mais experiência do que as do sexo feminino.
  3. O QI (Quociente de Inteligência) não correlacionaria significativamente com a pontuação de conhecimento sobre sexo; experiências de vida foram consideradas como uma variável mediadora.

 

Método

Sujeitos

Quarenta e um sujeitos do estado da Carolina do Norte, EUA, foram entrevistados, sendo 21 adultos com autismo de alto funcionamento e 20 adultos com retardo mental leve a moderado sem autismo. Todos os sujeitos foram avaliados por psicólogos para confirmar os seus diagnósticos. No grupo de sujeitos com autismo, 11 eram do sexo masculino e 10 do feminino. No grupo de sujeitos com retardo mental, 10 eram do sexo masculino e 10 do sexo feminino.

Material

Foram utilizados um teste de vocabulário sexual e um questionário com duas partes: uma avaliação de conceitos e experiências sexuais e outra avaliação de interesse sexual.

Procedimentos

Foi explicado aos sujeitos como seria o teste e o questionário, e que não precisavam responder quando não quisessem. Antes da aplicação do teste e questionário foi realizada uma coleta de dados demográficos para fazer com que os sujeitos ficassem mais à vontade.

Resultados e Discussão

  • Os participantes do sexo masculino demonstraram mais interesse em namorar e em sexo do que as do feminino em ambos os grupos.
  • Os participantes do grupo com retardo mental (e sem autismo) tinham mais experiência com e conhecimento de sexualidade do que os do grupo de participantes com autismo.
  • Houve uma correlação significativa entre conhecimento sobre sexualidade e QI.

A hipótese I estava parcialmente correta. Os sujeitos do sexo masculino de ambos os grupos demonstraram mais interesse na sexualidade do que as do feminino, mas isto também é observado na população que não tem estes comprometimentos devido a uma liberdade maior para ir à busca de seu interesse e de expressá-lo. Porém, os sujeitos do sexo masculino com autismo também demonstraram um interesse maior, e sabemos que eles têm dificuldades em perceber sutilezas sociais que muitas vezes interferem na sexualidade e também são menos responsivos a aspectos sociais, e mesmo assim este interesse foi maior do que dos sujeitos com autismo do sexo feminino.

A hipótese II também foi parcialmente correta. O grupo de sujeitos com retardo mental (sem autismo) tinha mais experiência sexual do que o grupo de sujeitos com autismo. Os sujeitos de ambos os sexos em seus respectivos grupos tinham a mesma quantidade de experiência sexual.

Uma possível explicação para o fato de que os sujeitos com autismo tinham menos experiência se dá pelas características do transtorno que interferem nos relacionamentos interpessoais de modo geral, os sexuais inclusive. Dentre elas a dificuldade em perceber sutilezas sociais e na comunicação especialmente quando relacionadas às emoções, inclusive às idiossincrasias com que cada indivíduo com autismo se expressa.

Hipótese III não foi confirmada. O QI foi um bom preditor do conhecimento sexual em ambos os grupos. Este resultado sugere que a compreensão e a participação sexual ativa não são um pré-requisito para conseguir definir os termos sexuais corretamente. Com exceção da masturbação, a quantidade de atividades sexuais dos indivíduos com autismo especialmente do sexo masculino, é bem limitada.

Estes resultados também demonstraram que:

·         Há um interesse sexual por parte dos indivíduos com autismo maior do que a literatura sugere.

·         Programas de Educação Sexual para indivíduos com autismo devem  se basear no que estes indivíduos sabem, querem e precisam.

·         A preocupação de alguns pais de que ensinar sexualidade para indivíduos com autismo pode causar novos problemas não é coerente com os resultados deste estudo, visto que o conhecimento não estava correlacionado a experiência e nem interesse.

“Um rapaz com autismo forrou as paredes do seu quarto com fotos da Playboy e estava bem informado quanto à anatomia feminina (...), mas tinha poucas habilidades sociais e virtualmente nenhum contato social.”

“Duas moças com autismo acertaram todas as questões do teste de conhecimento, uma tinha nenhuma experiência ou interesse, mas a outra tinha alguma experiência com beijos e se interessava em mais experiência”.

Mesmo que neste estudo os sujeitos do sexo feminino tenham demonstrado menos interesse do que os do masculino como um todo, há muitos indivíduos do sexo feminino interessados em ter experiências sexuais.

Outro aspecto importante deste estudo é que todo o procedimento foi direcionado aos sujeitos com retardo mental e os sujeitos com autismo, e não aos seus pais ou cuidadores, e isto traz uma perspectiva importante, já que cada vez mais indivíduos com deficiência estão morando longe dos pais, em apartamentos ou residências terapêuticas, assumindo responsabilidades sobre si mesmos e tomando decisões.

É necessário ajudá-los a fazerem o máximo dessas novas oportunidades e saber o que eles veem como importante.

Palestra

Data: 27 de abril de 2009

Horário: 18:30h às 20:30h

Tema: Autismo e Sexualidade: dificuldades, aceitação e manejo

Rua Luís Gama, 890 Cambuci - 01519-000 São Paulo - SP

Tel: 11 3376-4401 | Fax: 11 3376-4401 | giselenunes@ama.org.br





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